Skip to content
  • international
  • luxembourg
    • ccpl
    • cne
    • politique locale
  • portugal
    • mortágua
    • museu salazar
  • eastern front
    • belarus
    • ukraine
  • thoughts
  • repository
    • neoliberalism
  • international
  • luxembourg
    • ccpl
    • cne
    • politique locale
  • portugal
    • mortágua
    • museu salazar
  • eastern front
    • belarus
    • ukraine
  • thoughts
  • repository
    • neoliberalism
Mário LOBOI hear you say 'Why?' Always 'Why?' You see things; and you say 'Why?' But I dream things that never were; and I say 'Why not?'
O Assento da Misericórdia
thoughts

O Assento da Misericórdia

On 03/03/2016 by Mario Lobo

Ninguém se terá debruçado tanto sobre a questão do pecado e da redenção como o cantor australiano Nick Cave. O seu trabalho é pleno da dualidade a que nos sujeita a escravidão da moral humana. Preso entre o desejo involuntário e inconsciente, quase inocente, do pecado e o castigo de Deus imposto àqueles que as suas leis desafiam. O arrependimento surge-lhe, sempre, como forma de lavar os seus pecados, que, no entanto, continua a cometer com a luxuria e no nível selvático que a um pecado se impõem: pecado, arrependimento, absolvição e recaída. Expoente máximo deste conflito de alma é a sua música Mercy Seat, ou, em tradução bíblica, Propiciatório.

«Efectivamente, construiu-se um tabernáculo com duas partes. A primeira chamava-se o lugar santo. Era lá que estavam o candelabro e a mesa com os pães consagrados a Deus.»

Na sua primeira longa-metragem, o realizador Sueco Magnus von Horn, coloca-nos face um jovem saído do reformatório. A princípio as razões do seu internamento são desconhecidas. O que se conhece é o mistério em que se envolve tão hediondo acto que John cometeu no passado.

«Atrás da segunda cortina estava a segunda parte do tabernáculo chamada o lugar santíssimo.»

Regressado à sua vila natal, John deve enfrentar o ostracismo e o escárnio de toda uma sociedade que o viu crescer. Que o viu crescer, e selvaticamente pecar. Foi readmitido na sua escola de sempre, dois anos após pecar, dois anos em que expiou os seus pecados perante a justiça dos homens.

«Era ali que se encontravam o altar de ouro para queimar o incenso e uma arca de madeira, toda coberta de ouro, chamada arca da aliança.»

Regressado, John teria agora que enfrentar os seus pares, aqueles de quem se apartou pelo seu pecado. Aos poucos, o véu de pureza que cobre o verdadeiro rosto desta comunidade vai caindo e os demais personagens vão-se revelando sem a menor capacidade nem vontade para reintegrar o anjo agora caído, chegando, no seu acto punitivo, a cometer maiores pecados aquele do pecador.

«Nessa arca estavam o vaso de ouro com o maná, a vara de Aarão que Deus tinha feito florir e as duas placas de pedra em que estavam escritas as palavras da aliança.»

A ânsia em que condenar e torturar o que nos é diferente é fortemente mobilizada pelo medo do desconhecido. Exemplo disso, por exemplo, foi a rapidez com que encontrámos nos refugiados recentemente chegados os culpados para um conjunto de agressões sexuais que ocorreram em Colónia durante as celebrações. Hoje sabemos que não foram os atacantes não era os recém-chegados refugiados e nem o objectivo era a agressão sexual mas antes simples e ordinária tentativa de furto.

«Por cima da arca estavam querubins que representavam a glória de Deus e cobriam com a sua sombra o Propiciatório».

A voracidade com que nos tornamos carrascos é visível, por exemplo, nos comentários que no dia-a-dia podemos ver nas redes sociais: perfeitos alambiques de ódio. Dentro da Arca estão as tábuas das leis pelas quais se devem reger os homens. O peso da Arca, junto com as leis que encerra, só pode ser suplantado pelo peso da própria tampa. Nessa tampa, o Assento da Misericórdia, seriam oferecidos os sacrifícios que dariam lugar à redenção dos pecados cometidos.

Carregada em ombros pelos Sacerdotes do Templo, a Arca era exibida como portadora da lei de Deus sem que ninguém mais a abrisse para lhe ver o conteúdo.


Este texto foi originalmente publicado no BOM DIA, aqui.

Tags: biblia, BOM DIA, luxfilmfest, magnus von horn, mercy seat, nick cave, pecado

1 comment

Leave a Reply Cancel reply

You must be logged in to post a comment.

Recent Posts

  • Ensemble veut dire asbl
  • L’étranger est mort, vive l’assimilation
  • Do Voto Emigrante
  • A Semântica do Império
  • (In)égaux devant la loi

Categories

  • belarus
  • ccpl
  • cne
  • eastern front
  • history
  • inclusion
  • international
  • left
  • luxembourg
  • mortágua
  • museu salazar
  • neoliberalism
  • poland
  • política
  • politique locale
  • portugal
  • repository
  • Songs for a Revolution
  • thoughts
  • ukraine

Tags

25 de abril amnesty international asbl babarika belarus BOM DIA ccpl classe cne communism comunismo congresso coronavirus covid déclaration de vote démocratie eleições esquerda eu european union fascism fascisme fascismo foreigners france guerra inclusion integration le pen lukashenko luxembourg luxemburgo luxfilmfest medo mortágua pcp russia salazar tikhanovskaya travail ukraine usa war élections étrangers

Archives

  • October 2024
  • July 2024
  • March 2024
  • May 2023
  • January 2023
  • November 2022
  • August 2022
  • June 2022
  • April 2022
  • January 2022
  • November 2021
  • October 2021
  • September 2021
  • August 2021
  • July 2021
  • June 2021
  • March 2021
  • February 2021
  • January 2021
  • December 2020
  • November 2020
  • October 2020
  • September 2020
  • August 2020
  • July 2020
  • June 2020
  • May 2020
  • April 2020
  • March 2020
  • February 2020
  • January 2020
  • December 2019
  • November 2019
  • September 2019
  • August 2019
  • July 2019
  • May 2019
  • April 2019
  • March 2019
  • February 2019
  • January 2019
  • November 2018
  • June 2018
  • May 2018
  • April 2018
  • March 2018
  • September 2017
  • May 2017
  • March 2016
  • February 2016
  • December 2015
  • July 2011
  • March 2011
  • February 2010
  • September 2008
  • August 2008
  • April 2008
  • September 2007
  • February 2007
  • October 2006
  • August 1978
  • November 1774

Copyright Mário LOBO 2026 | Theme by ThemeinProgress | Proudly powered by WordPress